segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Só eu nesse carnaval


Dia desses fui até Betim para ver o show da Marina Lima. Para quem é de outra cidade e está com preguiça de olhar no mapa, Betim é uma cidade da região metropolitana de Belo Horizonte e fica a uns 35, 40 km do centro de BH. E sobre a Marina Lima, creio que não preciso ser didático. Até porque, se em 2013 você não sabe quem é a Marina Lima, alguma coisa muito errada está acontecendo.

Sempre que vou a um show dou uma refrescada na memória, ouvindo algumas das músicas que mais gosto do cantor. Claro que, depois do último post, tento evitar o setlist fiel da apresentação, e procuro ouvir coisas aleatórias, algumas músicas que gosto mas não viraram grandes sucessos e trabalhos menos conhecidos. Só para relembrar a sonoridade da voz do cantor e uma ou outra letra que esqueci.

Dando uma volta pela discografia da Marina Lima acabei por me lembrar do cd O Chamado, de 1993, que eu ouvi pela primeira vez no fim de 2006. Uns anos antes tinha lido uma crítica sobre esse álbum e, um belo dia, o encontrei em uma bacia das almas de uma grande loja de cds. Como a pessoa que escreveu a crítica era de confiança, acabei levando, motivado também pelo baixo preço.

E o que aconteceu foi que o cd acabou virando a trilha sonora de 2007. Eu tenho essa mania de atribuir músicas ou discos a determinados momentos da minha vida, de forma totalmente involuntária, vale ressaltar. Muitas vezes a música estava ali tocando, ao fundo dos acontecimentos, mas ela acaba não ficando tão ao fundo assim. Passa a ganhar importância e, muitas vezes, a dialogar com o que aconteceu.

O disco O chamado é um álbum pesado, que Marina concebeu durante um período de muitas perdas, descobertas e constatações. É assim que ela o define, na apresentação do encarte. E acredito que ele casou tanto com 2007 porque, para mim, esse foi também um ano pesado, cheio de descobertas e constatações. Muitas vezes acabei encontrando o alento que precisava, acabei encontrando a palavra exata, a frase que definia o momento e me dava aquele empurrão necessário para continuar. O Chamado continuou comigo até o começo de 2008, quando um trecho dele foi dedicado a mim, pelo meu paraninfo da formatura, em uma dessas coincidências malucas da vida.

Eu sempre acreditei que uma das funções dos artistas, além de nos entreter, era muitas vezes indicar um caminho para alguma situação da nossa vida que estivesse meio empacada. Autores criam tramas para livros, para novelas, e que muitas vezes são situações que vivemos e não sabemos o que fazer. Cantores compõem músicas que, em diversos casos, dão aquela dica preciosa do rumo que devemos tomar. Atores vivem personagens que se deparam com situações como as das nossas vidas, e dão um jeito de sair dessa situação de uma forma que talvez podemos empregar em nós mesmos. 

Marina Lima, em 2007, me mostrou que era preciso seguir o chamado. Onde ele ia dar eu não sabia, mas o recado é que as mudanças estavam por vir. E vieram...


[para ver depois de ler: Marina Lima - O chamado]

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