domingo, 22 de setembro de 2013

Too much information



Dia desses rolou o show da Baby do Brasil em BH, e claro que eu fui. Digo claro porque, depois que a Baby entrou nessa fase gospel, língua dos anjos e igrejas, essa turnê com o filho, Pedro Baby, talvez seja a última oportunidade que teremos de vê-la, ao vivo, cantando os clássicos como Telúrica, Cósmica, Planeta Venus e tantos outros; e também porque, poxa, Baby foi barrada na Disneylândia com o marido, escreveu uma música - divertidíssima - sobre o caso e ainda gravou um clipe maravilhoso em um parque precário desse Brasil varonil.

Depois dos ingressos garantidos, fui revirar a internet atrás do setlist que ela montou. E revirar aqui é uma figura alegórica muito exagerada, porque bastou digitar baby do brasil + show + setlist para pipocar na tela vários links que me mostraram música por música que ela apresenta.

E como hoje em dia nada vem sozinho, os links traziam outros links para vídeos das canções, um outro link com o show praticamente completo para a MTV e várias seleções de músicas dela montadas e disponibilizadas naqueles sites lindos que fazem uma seleção de músicas e salvam dias enfadonhos no trabalho (links esse que não vou indicar aqui porque é tão fácil encontrá-los que nem vale o trabalho todo do crtl+k).

Passei dias ouvindo todas as músicas, vendo os vídeos e lendo críticas de apresentações anteriores. Foi aí que me dei conta: eu já conhecia todo o show antes de, de fato, ver o show.

Não que isso tenha atrapalhado a apreciação dele. Baby estava a louca de sempre no palco, a banda estava incrível e a conexão dela com o filho é fantástica. Mas fiquei me perguntando qual a necessidade de toda aquela peregrinação pelos detalhes do show antes de vê-lo.

Quando eu tinha uns 15, 16 anos, fui a um festival super famoso que tinha em BH. Várias bandas, um estádio de futebol, muita gente nova e tal. E me lembrei que a única coisa que eu sabia era quem tocaria naquela noite. O resto dos detalhes foram surgindo a cada novo acorde, cada música que começava e eu olhava para as pessoas que tinham ido comigo e soltava um "nossa, adoro essa música!".

É ótima a quantidade de informações que temos hoje em dia, aquele velho clichê de "tudo a um clique de distância". Mas toda vez que me lembro dessa facilidade e de como nós sempre nos informamos sobre tudo, me vem à mente aquela imagem super recorrente nos sites de humor, do cachorrinho com uma cara espantada e a frase "qual a necessidade disso?" escrita.

A sensação que fica é que perdemos aquele gosto pela surpresa, que temos sempre que conhecer todo o show, até as piadas do cantor, ou que ficamos horas vendo cenas aleatórias no Youtube antes de assistir ao filme. E perder a surpresa é perder aquele temperinho extra, o que nos faz lembrar mais facilmente daquilo que, no fim das contas, é o que degustamos.


[para ouvir depois de ler: Baby do Brasil - Barracos na Disneylândia]

Um comentário:

Valmique disse...

Compreendo perfeitamente o que está dizendo... mas percebi isso há tempo suficiente para ignorar algumas informações de alguns shows que já fui e quis apreciar os detalhes ou as surpresas que você mencionou.. o mais louco é que parece que você ir a esses shows e eventos sem saber essas informações faz de você uma pessoa "desatualizada".. mas não voltamos no tempo. Então, o jeito é filtrar esse "mar" de informações por aí... PS: deveria ter ido nesse show dela, curiosamente vi na MTV e fiquei interessado.